quarta-feira, 21 de outubro de 2026

A censura ainda está aqui? - Exposição


Está patente na Biblioteca uma exposição de livros censurados em vários países, estados e lugares, em vários momentos da História e atualmente.

Alguns destes livros foram adquiridos agora, no âmbito do projeto «Da minha língua vê-se o mundo», outros já existiam na coleção da Biblioteca da ESDG.

A censura institucional está entre nós, seres humanos, desde que há memória. Em Portugal, no século XX, a censura vigorou durante 48 anos, afetando as mais variadas formas de expressão pública: jornais e imprensa em geral, espetáculos e diversos eventos públicos, programas e manuais escolares, livros. Incidia sobre matéria ideológica e de costumes, promovendo uma imagem de Portugal como um país de brandos costumes, sem corrupção ou crimes graves, onde imperava o respeito, ou melhor, o «respeitinho».

No entanto, muitos resistiram, e publicaram livros que vieram a ser proibidos e os seus autores perseguidos, por exemplo, As Novas Cartas Portuguesas, de Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa, e Minha Senhora de Mim, de Maria Teresa Horta, ambos acusados de atentado à moral e aos bons costumes.

Com o 25 de Abril e a instauração da Democracia, em 1974, a censura e a sua estrutura administrativa foi desmantelada e a liberdade de expressão instaurada em Portugal.

Mas no mundo, a censura persiste ainda hoje; por exemplo, Os Versículos Satânicos, de Salman Rushdie, e A Quinta dos Animais, de George Orwell, são dos livros mais proibidos.

Mas será que a censura se esgota nas proibições institucionais?

De que modo a vigilância sobre a leitura e a liberdade de expressão se manifesta?

A não publicação de escritores impopulares, que não vendem, que não vão «ao encontro dos gostos do público», será uma nova forma de censura?

Ainda existem livros incómodos, que provocam atrito e conflito social, a ponto de algumas pessoas recomendarem o seu cancelamento?

O que nos leva a rejeitar um livro e os seus autores e, até, leitores? Que livros rejeitamos e porquê?

Já fomos alvo de censura ou bullying por lermos este livro ou aquele, ou simplesmente por sermos leitores?

A autocensura existe?

Tantas perguntas…
Quantas respostas?...


Todos podem responder e participar no debate, através das redes sociais da biblioteca (Instagram e Facebook) ou da caixa de perguntas e respostas colocada, para esse efeito,
no expositor da biblioteca (à entrada).

segunda-feira, 18 de maio de 2026

«Da minha língua vê-se o mundo» - Candidatura vencedora!


A biblioteca da Escola Secundária Damião de Goes candidatou-se a Leituras... com a biblioteca, da Rede de Bibliotecas Escolares (RBE), com o projeto «Da minha língua vê-se o mundo». Este projeto foi um dos dezasseis projetos selecionados a nível nacional, prevendo-se a aquisição de livros para a biblioteca da escola e a promoção da leitura nos próximos dois anos letivos (2026-2027 e 2027-2028), de acordo com os objetivos seguintes:
1- Fomentar a cidadania, a interculturalidade e o sentido crítico, a partir da leitura de livros, de textos científicos e de outros registos multimodais, dos media, e posterior discussão ou partilha;
2- Aumentar e/ou aprofundar os hábitos de leitura.
Estes objetivos preveem quatro ações, que depois serão concretizadas através de diversas atividades:
1- Ciclo de debates «Arte, ética e verdade»: censura (institucional e moral, autocensura), liberdade de expressão, tradução (humana e automática), olhares sobre o mundo;
2- Leitura partilhada de poemas/textos literários de e em várias línguas e variantes do português, e também traduções (a culminar numa sessão pública, em cada ano – Festa da Leitura); estas leituras poderão manifestar-se por via oral ou escrita, multimodal;
3- Leitura comparada de textos literários e científicos, numa perspetiva pós-colonial;
4- Encontro com autores/artistas/especialistas.

No ano letivo de 2025-2026, prevemos o aprofundamento do diagnóstico através da aplicação de um questionário sobre os hábitos de leitura dos estudantes dos cursos diurnos da ESDG. O projeto executar-se-á nos dois anos letivos seguintes, prevendo-se a colaboração entre a biblioteca escolar e as disciplinas de Português, Português Língua Não Materna, Filosofia, História A, Literatura Portuguesa, Área Interdisciplinar, e, eventualmente, outras. A RBE atribuiu uma verba de 2000€ para aquisição de livros necessários para a concretização do projeto; a lista já está a ser elaborada a partir da auscultação de professores e alunos. A coleção da nossa biblioteca será mais inclusiva depois deste projeto!